A responsabilidade de uma seguradora de carro autônomo

Ouvir falar de carros autônomos é algo cada vez mais constante em noticiários e conversas informais. Recentemente uma fabricante deste tipo de veículo, a Tesla, se tornou a marca mais valiosa do mundo, mesmo estando longe de suas rivais como Toyota, GM e Ford, nos quesitos produção e lucro. Ter um carro autônomo possibilitaria ao seu condutor, momentos livres para atuar em outras atividades, como ler um artigo a ser apresentado numa reunião, estudar um item que necessita de conhecimento, bem como conversar e ir dando atenção a um filho pequeno, por exemplo, onde as possibilidades são inúmeras.

Aparentemente há mais prós do que contras, o que faria as pessoas não quererem comprar carro, já que isso se tornou algo mais comum para a geração de agora, que viram no Uber uma forma de locomoção veicular barata e confortável, não havendo necessidade de pagarem por seguro do veículo, local para guardar, etc. Então o carro autônomo alcançaria o publico que já dirige e faz questão de ter um veículo próprio.

A questão de seguros para este tipo de veículo é algo ainda estudado pois não há legislação para isso. Conforme citado na matéria do UOL[1], tal criação interfere diretamente no mercado multibilionário das seguradoras já existentes e, considerando que 90% dos acidentes são ocorridos por falha humana, um carro autônomo faria despencar os valores dos seguros.

Desta forma, o ideal é manter as partes já existentes sobre seguro, cobrindo colisão e proteção aos ocupantes dos veículos, bem como a terceiros que possam colidir. Mas deve-se acrescentar o seguro contra erros e falhas sistêmicas, que passa a ser a principal função para este tipo de veículos. Em matéria publicada pelo Confederação Nacional das Seguradoras[2], as discussões em torno disso se referem a, caso alguém se jogue na frente veículo autônomo, ele deve salvar essa vida ou desviar o carro e ter uma colisão, lesionando possivelmente o condutor?

Isso mostra que o gerenciamento deste tipo de seguro está apenas no começo, pois aqui se fala de dar a uma máquina o poder de decisão sobre a vida humana. Desta forma, este contrato de seguro deve abranger como responsáveis, o fabricante do veículo, o condutor e o criador do sistema operacional, pois há participação de todos eles em algum momento do processo.

Certamente que quanto mais tempo for passando, tecnologias melhores irão surgindo, a ponto de erros iniciais não existirem e colisões ou acidentes destes tipos de automóveis serem raros.

 

[1] Disponível em <www.uol.com.br/carros/noticias/bloomberg/2019/02/20/carros-autonomos-podem-revolucionar-seguros-automotivos-entenda.htm> Acesso em: 27 jul. 2020.

[2] Disponível em < http://cnseg.org.br/noticias/carros-autonomos-tambem-estao-no-radar-de-governos-e-seguradoras.html> Acesso em: 27 jul. 2020.

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