Perigos das Fake News em tempos de pandemia

O Brasil, assim como o resto do mundo, vive sua pior pandemia em muitos anos, proporcionando uma corrida por vacinas, equipamentos de saúde e ferramentas que ajudem ampliar a possibilidade de salvação de vidas das pessoas. No entanto, junto com a disseminação do vírus da COVID-19, pudemos observar a ampliação das notícias falsas, popularmente conhecidas como fake news, em sua tradução para o inglês. Tal expressão relaciona-se com a junção da informação falsa produzida com a intenção de ludibriar quem a consome, tendo a pessoa criadora ciência de que esta é prejudicial.

A reprodução de notícias falsas pode ser utilizada como ferramenta para defender posicionamentos, sejam eles políticos, negacionistas, entre outros, além de atacar o lado contrário com o objetivo de tentar garantir a aceitação de um ponto, utilizando-se de meios práticas em nossa atualidade, como a internet.

As redes sociais, usadas por quase todas as pessoas do mundo, possuem uma função importantíssima na interação social, globalização e compartilhamento de informações, tudo isso com uma distância de um clique. No entanto, a integridade das informações compartilhadas pode não ser garantida, podendo confundir a pessoa que está consumindo, fazendo-a a acreditar em algo que não possui base concreta e nem comprovação.

Tomando como base a pandemia do Coronavírus, já citada neste texto, vimos uma polarização quando o assunto envolve tratamento e prevenção. Associando-se com uma radicalização política, já vista no Brasil em 2018, os temas envolvendo a saúde foram as principais vítimas dos disseminadores de fake news, o que gerou uma divisão de pensamentos ainda maior, prejudicando o país no combate a pandemia.

Em estudo executado pela Avaaz[1], com 2001 pessoas no Brasil, foi concluído que o Brasil vive uma infodemia, ou seja, uma epidemia de informações falsas, mostrando, entre muitas porcentagens, que a maioria dos brasileiros entrevistados já acreditou em uma informação falsa recebida.

Uma notícia que relata um tratamento ineficaz contra o Coronavírus, por exemplo, pode levar com que muitas pessoas, no desespero e esperança de uma situação melhor, levem tal tratamento como verdadeiro, prejudicando suas possibilidades de recuperação caso entrem em contato com o vírus, além de ter um efeito indireto no relaxamento das medidas restritivas e até um desencorajamento pela vacinação, esta última também grande vítima das fake news em relação a sua eficácia e procedência. Em suma, uma informação falsa pode ter consequências gravíssimas, podendo até ser fatal, gerando um desentendimento sobre quais ações comprovadas devem ser tomadas diante de tal dificuldade sanitária.

Para provar um ponto, pertencer a um grupo ou invalidar a opinião alheia, mesmo que embasada em fatos e dados, a informação contém um teor destrutivo, premeditado, com linguagem específica para fazer com que o consumidor se sinta completamente ludibriado pelo relatado e, assim, forme a mesma opinião daquela disseminada.

Por fim, são grandes os desafios para o combate a essas informações. É necessário que o Poder Público se envolva, estimulando a população para que verifique a integridade das informações consumidas em portais oficiais ou, como no exemplo citado, com autoridades sanitárias, expondo os prejuízos que podem ser causados pela fé cega diante de uma informação recebida, principalmente nas mídias sociais, aumentando o engajamento da população perante o combate às fake news. Adicionalmente, as penalizações proporcionais possuem um papel de extrema importância no tema, mostrando que a questão é levada como ato ilícito, colocando consequências legais para quem agir com tal conduta.

 

Referências Bibliográficas

 

Avaaz. O Brasil está sofrendo uma infodemia de Covid-19 (2020). Disponível em : <https://secure.avaaz.org/campaign/po/brasil_infodemia_coronavirus/>, acesso em 24/04/2021;

Cofecon. Artigo – Combate às fake news: uma responsabilidade de todos (2021). Disponível em: <https://www.cofecon.org.br/2021/03/03/artigo-combate-as-fake-news-uma-responsabilidade-de-todos/>, acesso em 24/04/2021;

Agência Brasil. Diante de pandemia, população deve estar alerta sobre notícias falsas (2020). Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-03/diante-de-pandemia-populacao-deve-estar-alerta-sobre-noticias-falsas>, acesso em 24/04/2021;

BARRETO, Irineu. Sistema Normativo Anticorrupção, 2021. 56 slides. Disponível para alunos da Pós-Graduação em Compliance pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Acesso em: 27 abr. 2020.

  1. Desinformação em tempos de pandemia (2021). Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/desinforma%C3%A7%C3%A3o-em-tempos-de-pandemia/av-56343401, acesso em 24/04/2021.

[1] Disponível em < https://secure.avaaz.org/campaign/po/brasil_infodemia_coronavirus/> Acesso em: 27 abr. 2021.

2 respostas
  1. Gabriella says:

    De fato, fake news cresceram de maneira descontrolada.
    É triste que neste momento em que a ciência esteja tão em foco, paradoxalmente a busca por informações baseadas em evidências científicas estão sendo deixadas de lado, graças a divulgação em massa das fake news.
    É uma luta diária para combatê-las. Seguimos.
    Ótimo texto!

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